26 Outubro, 2009

Em Malta (III)

Como já devem ter percebido, a vontade de ir mantendo isto actualizado não tem sido muita. Ainda assim, vou adiantar mais uma ou duas coisas.

O trabalho tem corrido bem. Estou a trabalhar numa televisão nacional - nomeadamente na estação (Net Television) do partido do Governo. Pode parecer estranho, mas a coisa funciona mesmo assim. E a oposição também tem a sua estação televisiva. E estas duas, juntamente com a TVM (Television Malta), fazem os 3 principais canais de Malta. Daqui a uns tempos irei também passar por uma rádio nacional e por um jornal nacional, também eles propriedade do Partido Nacionalista.

Coisa que anda a faltar são as fotos. Tenho de as pedir aqui aos colegas de casa. Para já deixo só algumas do último passeio, este Domingo. Mdina, a primeira capital de Malta, e até agora a cidade mais bonita que vi neste país.










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06 Outubro, 2009

Em Malta (II)

As vistas cá de casa:






Um misto de Europa Mediterrânica com Bagdad, portanto.

02 Outubro, 2009

Em Malta (I)

Primeiro relato de Malta, agora que finalmente foram resolvidos os (muitos) contratempos com que me deparei. Só hoje deu para ficar na casa definitiva e desfazer as malas. Portanto, a partir de agora vou tentar ir mantendo isto actualizado mais regularmente.

A primeira impressão de Malta faz Portugal parecer um país escandinavo. Corrupção a rodos, construção totalmente anárquica (e de qualidade próxima do anedótico), código da estrada apenas para encher chouriços, autocarros a lembrar um país da África profunda, etc.

On the other hand, o nível de vida é elevado. As casas são estupidamente caras, os preços dos produtos básicos nos supermercados são um exagero (a garrafa de água mais barata que vi custava 44 cêntimos, um quilo de arroz custa mais de 2€, um café oscila entre 1.10€ e 1.25€) e ir almoçar fora é um luxo a que poucos se podem dar.

É uma lição que aprendo desde já: fazer considerações sobre países baseadas em números...pode induzir em erro. O PIB per capita de Malta é superior ao Português, e o ordenado mínimo ronda os 650€. Mas só alguém totalmente senil poderia dizer que em Malta se vive melhor do que em Portugal.

Ainda assim, Malta tem o seu encanto; St. Julians (onde estou a morar) é uma cidade que tem apenas duas fontes de rendimento: o turismo e as escolas de Inglês, que durante todo o ano acolhem estudantes de todo o Mundo (sobretudo Nórdicos, Italianos, Espanhóis, Checos, Russos e Alemães). Isso dá à cidade uma aura muito especial, fazendo dela a mais cosmopolita de Malta. O clima é óptimo; calor durante o dia, calor durante a noite, e muito, muito sol. E a animação nocturna é, no mínimo, impressionante.

Portanto, para já, Malta está a ser uma experiência interessante. Não me parece complicado passar 3 meses aqui. Agora, para viver...é impensável.

28 Setembro, 2009

Malta



É a cena do ir. Até já.

27 Setembro, 2009

Legislativas 2009

36,6% é um mau resultado para o PS. Sócrates teve um resultado pior do que Ferro Rodrigues em 2002.

O PSD tinha tudo para ganhar estas eleições e deu-as de barato. É o grande derrotado da noite. Sendo assim, a única solução é substituir Manuela Ferreira Leite, que já se sabia à partida que era uma má opção.

Quanto aos restantes partidos, o CDS é o grande vencedor da noite. O BE praticamente hipotecou as suas hipóteses de vir a fazer parte de um Governo de coligação.

25 Setembro, 2009

Pearl Jam - Backspacer



Alegrem-se os fãs da boa música: os Pearl Jam continuam bem vivos e cheios de vontade de andar aí para as curvas. Backspacer é simplesmente fantástico.

23 Setembro, 2009

Esmiuçando

Após a sua participação no programa dos Gato Fedorento, a Joana Amaral Dias subiu uns pontos na minha consideração. Um par deles, para ser mais exacto.

19 Setembro, 2009

Inglório, de facto

Não posso dizer, com propriedade, que Inglorious Basterds é um mau filme, porque não é. Mas é uma grande desilusão. Sou vítima das minhas próprias expectativas, é certo, e por isso as críticas são mais pessoais do que outra coisa.

Quem esperava um filme genuinamente "Tarantinesco" sobre a Segunda Guerra Mundial, pode esperar sentado. A 2a Guerra é apenas um pano de fundo para uma história banal, sensaborona e previsível. E também tem pouco de Tarantino. Do bom Tarantino, entenda-se. É que Inglorious Basterds é muito mais Kill Bill e Death Proof do que Pulp Fiction e Reservoir Dogs.

São duas horas e meia de filme, que são suportadas por duas ou três cenas geniais. Mas que não chegam. O resto do enredo não cativa; ninguém percebe muito bem o como e o porquê das coisas acontecerem, é apenas acção debitada para a tela. Tarantino, no meio de todas as suas referências e homenagens, esqueceu-se do fundamental: do seu próprio filme.

O melhor do filme? A personagem do Coronel Hans Landa, com o seu delicioso charme diabólico. Interpretação notável de um tal Cristoph Waltz.

Quanto a Tarantino, parece estar, definitivamente, a perder o seu toque de Midas.

15 Setembro, 2009

Os 10 pequenos

Sobre o debate dos pequenos partidos ontem realizado na RTP, no Prós e Contras, há a destacar a diferença que faz, em política, ser-se político. Garcia Pereira (PCTP-MRPP), Manuel Monteiro (PND) e Rui Marques (MEP) destacaram-se dos demais, sobretudo pelas suas capacidades comunicativas, nunca se deixando intimidar pelas câmaras de televisão.

Já o MMS, que é um partido com propostas muito interessantes, não se viu bem representado. Eduardo Correia esteve sempre nervoso, embrulhou-se, e as suas ideias não passaram cá para fora.

Os restantes partidos acabaram por me passar ao lado. Já conhecia a sua orientação ideológica e as suas propostas, e não me agradavam. Ontem, a sua comunicação também não foi convincente.

Ainda assim, há que saber separar a forma do conteúdo. O MMS tem validade nas suas propostas. É o único dos 10 partidos ontem representados no qual eu coloco a hipótese de votar.

26 Agosto, 2009

Californication



Os últimos 3 minutos do episódio de Californication que passou hoje na RTP. É o melhor momento de toda a série. A escolha de imagens, o monólogo do Hank, e a música - caraças, a música - Nothingman, dos Pearl Jam.

Simplesmente perfeito.



He who forgets, will be destined to remember.

22 Agosto, 2009

Nude As The News

Cat Power - Nude As The News (1996):

07 Agosto, 2009

Mais um troféu

Depois de se sagrar o mui nobre Campeão da Intertoto, o SC Braga continua a sua senda de feitos notáveis, tendo ontem conquistado o título de Vice-Campeão da Terceira Pré-Eliminatória da Liga Europa.



A continuar assim vão ter de aumentar a sala de troféus.

06 Agosto, 2009

A História é escrita pelos vencedores

Foi há 64 anos que o B-29 Enola Gay largou uma bomba nuclear sobre Hiroshima matando cerca de 100 mil civis inocentes.

Os Estados Unidos nunca pediram desculpa. A História nunca os julgou.

Restar-nos-á a vergonha, se é que eles a sentem, como a única condenação dessas pessoas.

03 Agosto, 2009

Visitantes Indesejados



Não se pode tolerar de ânimo leve que, ano após o ano, a nossa cidade e o nosso estádio sejam invadidos por essa reles escória que pulula nas aldeias da região - ainda por cima a convite do Vitória.

O Benfica e os benfiquistas não são bem-vindos a Guimarães.

Há que terminar, em definitivo, com esse vergonhoso pacto.

24 Julho, 2009

Prioridades

No mínimo curioso o facto da imprensa nacional ter dado mais relevo ao "funeral Santiago" do que à CEC 2012. Guimarães parece só ter interesse enquanto alvo de chacota.

Continuamos - e continuaremos - a ser filhos de um deus menor.

16 Julho, 2009

Ainda sobre Guimarães 2012

Apraz-me realçar que, finalmente, foi possível realizar, em Portugal - e em Guimarães - uma cerimónia de abertura sem recorrer ao fogo de artifício.

Imperou o bom gosto sobre a ostentação saloia, portanto. Mais um sinal positivo.

15 Julho, 2009

10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte



Só agora ouvi, finalmente, este longínquo trabalho de José Cid (remonta a 1978), perdido algures no tempo (e no espaço?). E tenho a dizer que é surpreendentemente bom.

O facto de ser um trabalho praticamente desconhecido enceta alguma reflexão sobre o assunto. É que não é apenas o Portugal atrasado da década de 70 que não consegue absorver este disco. Verdade seja dita, o Portugal de 2009 ainda não possui capacidades para tal. Este não é - nem nunca foi - um país para artistas.

Questiono-me se a CEC 2012 vai conseguir mudar alguma coisa. Eu cá acho que não. Ainda assim, Guimarães 2012 arrancou ontem no CCVF, em substância, e no Largo da Oliveira, na forma. Ambos os momentos deixaram indicações positivas. Restará passar, então, à acção.

09 Julho, 2009

Coisas que eu gosto imenso em Guimarães II

Mesmo correndo o risco de "aparecer com um olho negro um dia destes", não posso deixar de ressalvar que esta campanha não é apenas de mau gosto; é parola, é provinciana, é embaraçosa - epítetos que, por exemplo, também serviriam para qualificar a revista Bigger. O que de resto só demonstra que o Grupo Santiago está, pelo menos, a ser coerente.

Nem toda a publicidade é boa publicidade. Sobretudo no longo prazo.

02 Julho, 2009

Coisas que eu gosto imenso em Guimarães I

A banda sonora das peças da GuimarãesTV. Porque alguém terá achado que aquelas reportagens ainda não eram suficientemente aborrecidas, e decidiu juntar-lhes uma musiquinha de elevador de alto gabarito.

O resultado é um inestimável cocktail de tédio, a desafiar a mais persistente das insónias.

30 Junho, 2009

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Pearl Jam - Vitalogy

Seria se supor que, estando em primeiro lugar, Vitalogy seria perfeito, intocável, sem falhas. Mas não. Vitalogy é o enfant-terrible dos Pearl Jam, o filho bastardo, a ovelha negra. Tem um carácter único. Não é polido; na verdade a produção é muito crua, a sonoridade é muito, muito negra, obscura, por vezes bizarra. Não é um álbum bonitinho, nem é feito para a geração Arcade Fire. É um disco que surge das profundezas do Rock Alternativo da década de 90.

Não eram tempos fáceis para a banda, ainda a lidar com a fama, a passar por problemas legais (a famosa polémica com a Ticketmaster), e com alguns elementos da banda a atravessarem questões pessoais delicadas. Tudo isso envolve Vitalogy num turbilhão de emoções que se externalizam através dos instrumentos, da voz, das letras.

Tem uma base conceptual: Vitalogy é o nome de uma enciclopédia médica de 1899, referência no seu tempo, mas que agora apresenta conteúdos totalmente datados, absurdos e até surreais. O próprio CD é um mini-livro, cuja capa e conteúdo (apenas uma pequena parte dele, já que o livro completo tem cerca de mil páginas) são iguais aos do original.

Desde os primeiros acordes de "Last Exit" que percebemos que este não será apenas mais um álbum de Pearl Jam; é a introdução perfeita, dado que é em tudo semelhante ao álbum - crua, pesada, confusa, caótica, e verdadeiramente genial. "Spin The Black Circle", o tributo ao Vinil, é a música mais Punk da discografia dos Pearl Jam. "Not For You" é mais uma faixa agressiva, marcada pelas letras anti-fama do Eddie.

Depois...bem, depois temos "Tremor Christ". A música. A minha música preferida. Desde as letras sinistras e indecifráveis, passando pela composição originalissima, e indo até à emoção pura na voz, tudo é único nesta música. Segue-se a arrepiante "Nothingman", a mais bonita balada que os Pearl Jam já fizeram - tanto a nível de música como de letra. "Whipping" é simples, mas do mais contagiante que há.

A partir daqui começam a surgir as faixas exprimentais: "Pry, To" é um minuto bizarro, uma música que tem um significado quando ouvida normalmente, mas que tem uma mensagem secreta quando ouvida em sentido contrário (coisa feita por muitas bandas, mas só os Pearl Jam conseguiram criar uma música que tivesse significado lógico ouvido das duas maneiras). "Corduroy" é uma das músicas mais tocadas pela banda ao vivo, e também uma das minhas favoritas.

"Bugs"...bem, bastará imaginar Eddie Vedder a tocar acordeão enquanto vai cantando uma letra absurda e hilariante; um delírio - ouvir para crer. "Satan's Bed" tem uma das melhores e mais agressivas letras dos Pearl Jam e, apesar de ser pouco conhecida, é das minhas favoritas. "Better Man" é das músicas mais conhecidas da banda, o que acaba por lhe tirar algum encanto. "Aye Davanita" é outra música exprimental - reforça o carácter único do álbum. "Immortality" é uma balada incrivelmente poderosa, e uma das melhores músicas da banda.

"Hey Foxymophandlemama, That's Me" termina o álbum em puro delírio; consiste na gravação duma entrevista realizada a uma criança numa instituição mental, à qual os Pearl Jam adicionaram música - o resultado é sinistro e arrepiante, e evidencia ainda mais Vitalogy como um álbum único, quase conceptual, e profundamente exprimental.

Tudo aquilo que fez dos Pearl Jam uma banda única e especial começa precisamente aqui, no Vitalogy. É um álbum cheio de personalidade, cheio de carácter. E é uma peça única, inestimável, irrepetível. É, definitivamente, O Álbum.